
O Vale é muito mais que um espectáculo. É um projecto nascido no Vale do Tejo e inspirado pelas memórias e vivências das gentes desta região de Portugal. Nasceu de um convite da Artemrede à coreógrafa Madalena Victorino para criar um espectáculo que representasse os elementos comuns a um território vasto e disperso. Durante mais de dois meses a equipa artística do Vale viveu, conheceu e descobriu a identidade desta região, através dos concelhos de Alcanena, Montijo, Santarém e Sobral de Monte Agraço. O resultado está num espectáculo único que reúne bailarinos, músicos e participantes da comunidade local, transportando para o palco a força, a sensibilidade e a coragem das pessoas e dos animais do Vale do Tejo. Com o Vale rimos e choramos. Com o Vale sentimo-nos parte de um imaginário, que não é apenas regional nem exclusivamente português, mas que pertence a todas as gentes e a todos os lugares.
Marta Martins - Directora Executiva da Artemrede
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
A Criação
VALE é um projecto de criação artística regional que parte do património dos lugares e das gentes do Vale do Tejo e se conjuga com os Teatros e as comunidades onde estes hoje se integram.
Um projecto que constrói um “anel” de afinidades entre teatro e território e que através do seu modo de criação, leva sectores humanos habitualmente distanciados a aproximarem-se entre si e a aproximarem-se do Teatro. O Teatro como casa de celebração, casa aberta e viva, em que a actividade teatral diz respeito, faz sentido, entusiasma e interessa os seus habitantes.
A arte tem esse poder aglutinador. VALE é por isso um espectáculo coreográfico e musical que mobiliza 13 intérpretes vindos da dança, do teatro e da música, 30 participantes locais e que com a sua dinâmica laboratorial cria espaços de encontro e trabalho regular entre artistas e as populações: população jovem, sénior, famílias e adultos.
VALE apresenta-se sob a forma de 4 canções coreográficas que, cheias de episódios roubados com os olhos a Alcanena, Montijo, Santarém e Sobral de Monte Agraço, se compõem numa narrativa forte e fluida de movimentos musicais e movimentos ficcionados com os corpos e a sua voz.
Nesta terra onde o rio é mar, aprendemos que a pele tem flor, que o gado tem vida de homem, que os lençóis são de água escura, que as pedras se rebentam para fazer nascer as oliveiras, que no tomilho poisam morcegos, que o vento lava, leva e traz.
VALE, porque é no Vale do Tejo que tudo aconteceu, porque nas fendas fundas dos algares, pudemos misturar os tecidos complicados de que são feitos os mistérios das aldeias, das vilas e das cidades deste vale com a trama da criação. Trama por todos inventada e que irá resvalar desta terra em forma de espectáculo. Espectáculo que oferecemos como devolução de tudo o que nos foi colocado tão delicadamente nas nossas mãos. Mãos de artistas e de artesãos. Artesãos do corpo e das suas ilusões.
Este VALE, instalado no algar do teatro, envolverá então o público e irá transportá-lo até terras fundas de vaidade e obediência, onde se desafia o medo, onde a água transborda e inunda, onde o sol e a sombra se encontram...
Madalena Victorino